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Literatura

O Rio de Heráclito

“Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo”, disse Heráclito. Esse é o mote que embala as páginas da novela O RIO DE HERÁCLITO de Sérgio Schaefer, livro que acaba de ser lançado pela Editora Revolução Cultural.

O filho de um fazendeiro desiste da vida campeira, arrebanha um diploma de filosofia e torna-se professor desse saber que teve seu desenrolar grego a partir dos pré-socráticos. Apenas formado, casa com uma professorinha de matemática de nome Sofia. É então que a vida dos dois começa a balançar ao ritmo da dialética do rio de Heráclito.

Segundo o sábio Heráclito, as mudanças parecem ser o fluir impetuoso, ondulante e interminável de um rio. As águas que correm podem desparadigmatizar qualquer coisa. Inclusive, casamentos.

De fato, Heráclito está bem satisfeito: aquele casamento acaba e o professor de filosofia encaminha sua vida para uma síntese, que tem o nome Filomena, uma colega do departamento de psicologia da universidade.

Nosso mundo sublunar é feito de constantes mudanças. Per omnia saecula saeculorum et sacco saccorum.

Rosas do Brasil
2ª edição: Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro/EDUNISC, 2006.
1ª edição: Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro/Igel, 1985.

É um livro construído sobre a obra de João Guimarães Rosa -- espécie de paráfrase romanceada. Os personagens básicos são o professor Rodovaldo, a prostituta Amélia, o cego Borromeu e o menino negro Guirigó. O professor Rodovaldo, professor de literatura brasileira numa cidade do interior e grande admirador de Rosa, coloca na cabeça a doida idéia de que precisa encontrar o Rosamundo, isto é, o mundo de Guimarães Rosa, aquele criado por este autor em seus contos, novelas e, principalmente, no romance épico Grande Sertão: Veredas. A partir disso, a ação ficcional começa a se desenrolar em meio a muitas aventuras e percalços. Poder-se-ia classificar este romance, talvez, como sendo uma experiência de metaliteratura.



Sombras

Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 2005.

É um livro de contos, todos ambientados no Rio Grande do Sul, em estâncias, em postos de estâncias, em povoados perdidos no interior da campanha e outros ambientes ligados ao pampa. Foi publicado pelo Instituto Estadual do Livro na Coleção 2000

* Francisca manquinha - Estância Mborerê. Francisca, a menina manca, conversa todos os dias com a falecida tia Vana.

* Vaca afetosa - Uma vaca malhada volta para sua querência amada, a estância da Figueira.

* Louca mansa do Guamirim - A louca mansa Maria Aparecida durante uma noite tempestuosa.

* Bonecra - O Demo esconde a boneca que o pai - um posteiro - trouxera de presente para a filha Nina. O pai enfia um pau de aroeira no fiofó do Diabo para que este devolva a boneca, o que de fato acontece.

* Menino - O filho do posteiro Juvêncio tinha estranhos poderes.

* Satanasa - Um peão desempregado negocia sua alma com a Satanasa.

* Irena e o estranho - A moça Irena e o estranho que apareceu no povoado das Três
Cruzes.

* Joana e o pica-pau - Joana, a moça fraca da cabeça, se enamora pelo moço que será degolado.

* Buraco do Jarau - O velho Nunes sonha que entra na Cova do Jarau. Tudo é diferente: a lagartixa Teiniaguá é, agora, a centopéia Arabela e, para chegar até esta, bastam apenas quatro provas de coragem. (Paródia sobre o conto A salamanca do Jarau de Simões Lopes Neto).

* Endemoniada Mocinha - Mocinha Fausta é incubada pelo Diabo para fazer maldades. Morre afogada no lodo do manantial onde morreu Maria Altina (Transconto do conto No manantial de Simões Lopes Neto).

* Lobo-guará - O pároco do pueblo de San Miguel, padre Lorenzo Balda, sofre o castigo da lobisomação, transformando-se a cada sexta-feira de luna plena em lobo-guará. Num dia em que se acha bastante mal, consegue repassar o fado para o famoso defensor dos índios reduzidos, Sepé Tiaraju.



O Gaudério Macunaíma e a Pititinga Macia de Brunilde

Porto Alegre: Mercado Aberto/Edunisc, 2001.

O livro conta a história de Macunaíma, que, tendo sido exilado nos céus para ali tornar-se uma constelação e cansado da monotonia do exílio, resolve voltar ao Brasil. Para tanto, convoca a aranha tatamanha, que lhe fabrica uma gigantesca teia, na qual passa a viajar, aterrissando no jardim da casa do gerente de uma multinacional de fumo, Herr Wolfgang, numa cidade do interior do Rio Grande do Sul. Ali conhece sua filha, Brunilde, com quem casa. O sogro arranja as coisas para que ele se torne candidato a prefeito do município. Acontece, então, uma série de trapalhadas, típicas dessas campanhas eleitorais. O candidato opositor, Schwarzneger, ganha as eleições. Macunaíma, muito desiludido com a política, vai passar uma temporada na ilha de Cuba, onde se apaixona por Caridad, que o incumbe da missão de instalar um foco guerrilheiro no Brasil. Ele volta e cumpre o desejo dela, constituindo um hilariante grupo, que, por não ter arma alguma, acaba inventando a luta desarmada. O único ato do movimento guerrilheiro será o seqüestro do prefeito Schwarzneger, recém eleito. O grupo é desfeito pelas forças de repressão e o prefeito termina libertado. Macunaíma, Brunilde, Siegfrid Poronô – o filho deles – e os demais companheiros fogem da cidade, indo para a região do Uraricoera, no Amazonas, onde, num clima mágico, compartilham os momentos finais de sua história. Neste livro, o autor continua o projeto metaliterário de revisitar grandes obras e autores da literatura. Agora, é o Macunaíma, de Mário de Andrade, que é revisitado.



Zé Divino, o Messias

Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.

Este romance tem como ambiente a região garimpeira do norte do Mato Grosso. O personagem principal, Zé Divino, age como uma espécie de messias cuja tarefa fosse a de reformar o que está errado. As ações dele, ao longo do livro, são muitas, rápidas e sempre eficientes. Cura doentes, resolve problemas afetivos, briga com os políticos do lugar. Ao final, é assassinado por capangas. Mais ou menos como foi o caso de Jesus Cristo.